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segunda-feira, 29 de outubro de 2012

Rotina do AFT pelo Professor Mario Pinheiro

De repente vi neste texto uma ótima descrição das Rotinas de um AFT, que para nós é uma ótima forma de conhecer o trabalho na prática.
Agradecemos ao Professor Mario Pinheiro pela gentileza de compartilhar sua experiência.


A rotina do AFT - I

05/06/2011
Oi pessoal,
Hoje vou comentar um pouco sobre a rotina de um Auditor-Fiscal do Trabalho.
Quem aí gosta de sítio? Que maravilha é poder trabalhar vendo paisagens lindas, respirando o ar puro do campo, ao invés de ficar o dia todo na frente do computador, com o telefone tocando sem parar.
Os AFT fiscalizam muito a região rural! Há problemas históricos envolvendo o meio rural, como falta de registro, trabalho infantil, manipulação incorreta de agrotóxicos e trabalho degradante.
Assim, muitos AFT se especializam em fiscalizar empresas agroflorestais (empresas que têm plantações de eucalipto, pinus), agroindústrias, plantações (principalmente as intensivas em mão de obra) e criações de animais (aviários, suínos, bovinos). Essa área demanda uma boa preparação, pois nem sempre é fácil identificar a cadeia produtiva com um todo. Muitas vezes também não é fácil localizar as propriedades.
É muito comum visitar lugares e propriedades onde nunca houve uma fiscalização trabalhista sequer, e as possibilidades de regularizações são significativas.
Em relação à matéria SST, essas fiscalizações demandam preparação intelectual em relação aos dispositivos da Norma Regulamentadora nr 31- Norma Regulamentadora de Segurança e Saúde no Trabalho na Agricultura, Pecuária Silvicultura, Exploração Florestal e Aqüicultura. Veremos essa NR em nosso futuro curso de SST.
As auditorias no meio rural também envolvem a Norma Regulamentadora nr 33 - Segurança e Saúde nos Trabalhos em Espaços Confinados - pois, no meio rural, notadamente em propriedades que produzem e comercializam cereais, existem muitos espaços confinados (silos, poços de elevadores, moegas) e os riscos de acidentes são grandes.
E todos os AFT fiscalizam o meio rural? Claro que não. A economia possui uma infinidade de segmentos, então fiscaliza o trabalho rural que tem afinidade com a área. Se você detesta estrada de terra, mato, bicho (acho difícil alguém não gostar dessas coisas!), fique tranqüilo(a), haverá outros setores para serem fiscalizados. Se você gosta do meio rural, quando for aprovado e nomeado como AFT, poderá participar dessas fiscalizações!

A rotina do AFT - II

07/06/2011
Oi amigos(as),
Inicialmente gostaria de dizer a todos que estou muito feliz com a grande aceitação dos meus artigos. É muito bom poder compartilhar informações simples como essas mas que, por vezes, são difíceis de serem encontradas na internet. À medida que forem surgindo mais dúvidas podem mandar e-mails para mariopinheiro@euvoupassar.com.br que responderei todos.
Dando continuidade aos artigos sobre a rotina dos Auditores-Fiscais do Trabalho, hoje vou falar um pouco sobre o Fundo de Garantia do Tempo de Serviço - FGTS.
Pra quem não se identificou com as fiscalizações rurais, é mais uma área com a qual pode-se criar afinidade!
Como todos devem saber, a verificação da regularidade do pagamento do FGTS devido pelos empregadores é uma atividade importantíssima nas fiscalizações do MTE.
O FGTS é normatizado pela Lei nr 8.036/90 que, diga-se de passagem, consta do edital do AFT (não na parte de SST, e sim em Direito do Trabalho). O FGTS não é importante apenas por tratar-se de um direito do trabalhador. Os recursos do Fundo também são essenciais tendo em vista sua aplicação para financiar obras de habitação, saneamento básico e infra-estrutura urbana, que beneficiam muitas cidades, bairros e comunidades.
Os depósitos devem ser realizados mensalmente, à alíquota de 8% da remuneração paga ou devida ao empregador (ou 2%, no caso dos aprendizes), conforme a regra estabelecida no art. 15 e parágrafos da Lei 8.036/90. Além disso, a depender da forma de extinção do contrato de trabalho, também será devida multa rescisória, conforme art. 18 e parágrafos da mesma lei.
No dia a dia das fiscalizações nos deparamos com empresas que têm débito com o FGTS. Nesses casos, o trabalho do AFT inicia-se com a utilização de sistemas informatizados do MTE, para verificar as pendências e indícios de débito. Após realizadas consultas e extrações de dados (calma, não precisa ser expert em informática pra fazer isso), a empresa auditada deverá ser notificada com prazo para regularizar as pendências. 
Em fiscalizações de rotina é comum haver pendências de valor baixo, que geralmente são recolhidas no prazo estabelecido pelo AFT. Entretanto, quando se trata de grandes devedores, a situação torna-se mais complexa. Para atender a esses casos há grupos específicos de AFTs que trabalham habitualmente com essa atividade.
Por hoje é isso. Nos próximos artigos continuarei postando mais tarefas que são desenvolvidas pelos integrantes da Auditoria Fiscal do Trabalho.

A rotina do AFT - III

09/06/2011
Oi amigos(as),

Dando continuidade aos nossos artigos sobre a carreira do AFT, hoje vamos falar um pouco sobre a fiscalização de obras.
Como todos já devem ter lido e ouvido nos noticiários, nosso país está no meio de um boom imobiliário. Em todas as grandes e médias cidades há obras em tudo que é lado. 

Toda essa pujança se deve ao aumento da renda média do brasileiro, à oferta de crédito imobiliário e a decisões políticas, como a priorização das obras do PAC e o programa Minha Casa, Minha Vida.

Dessa forma, em todas as cidades que sediam SRTEs e GRTEs há muito trabalho a ser feito no projeto Construção Civil.
Em relação à SST, as fiscalizações de obras demandam o conhecimento de várias NR, dentre elas a Norma Regulamentadora nr 03 (Embargo ou Interdição), Norma Regulamentadora nr 06 (Equipamentos de Proteção Individual - EPI) e, claro, a Norma Regulamentadora nr 18 (Condições e Meio Ambiente de Trabalho na Indústria da Construção).

E só engenheiros civis fiscalizam obras? Podem ter certeza que não (eu sou um exemplo disso!). É claro que as pessoas formadas em engenharia civil terão mais facilidade, mas há inúmeros AFT que não são formados em engenharia e que fazem parte desse projeto.

A construção civil é uma área responsável por um grande número de acidentes graves e fatais, então há muitas ações fiscais nesse segmento econômico. As principais causas de acidentes nessa área são queda em altura, choques e soterramento.

A NR 18 é bastante extensa, mas isso não significa que todas as fiscalizações em obras demandam a aplicação de todos os seus dispositivos. Tudo depende do estágio em que se encontra a obra a ser fiscalizada. De acordo com a situação, o AFT deverá analisar a parte de demolição, escavações ou os trabalhos em telhados e coberturas, por exemplo.

"Nossa, mas eu nunca fui numa obra antes, será que vou tomar posse e no mesmo dia receber uma ordem de serviços para ir sozinho(a) em uma obra de 20 andares, com 100 empregados?" Fiquem tranqüilos, isso não vai acontecer. As primeiras fiscalizações serão acompanhadas por um colega mais antigo, até o AFT se sentir apto a fiscalizar. Além disso, em geral, aconselha-se sempre a fiscalizar em duplas, pois é mais seguro e um pode ajudar o outro.

E então, gostaram desse projeto? Todos os anos centenas de acidentes ocorrem, sem falar nas várias irregularidades envolvendo falta de registro, atraso de salários, excesso de jornada, etc. Precisa-se urgentemente de mais AFT na construção civil, estamos esperando por vocês!

A rotina do AFT - IV

15/06/2011
Olá amigos,

Nesse artigo vamos conversar um pouco sobre o combate ao trabalho infantil.

Milhares de crianças ainda são exploradas no nosso país, mesmo sendo este um projeto prioritário para o MTE.

Antes de adentrar no tema, vamos relembrar o que a Constituição Federal estabelece sobre o trabalho de menores, em seu artigo 7:

"Art. 7 São direitos dos trabalhadores urbanos e rurais, além de outros que visem à melhoria de sua condição social:
(...)
 XXXIII - proibição de trabalho noturno, perigoso ou insalubre a menores de dezoito e de qualquer trabalho a menores de dezesseis anos, salvo na condição de aprendiz, a partir de quatorze anos;"

Apesar da diretriz constitucional, o trabalho infantil ainda é um mal que está enraizado em nossa cultura. É possível encontrar o trabalho infantil nas mais diversas atividades: na construção civil, no trabalho rural, no trabalho doméstico, no comércio. Todos os leitores já devem ter ido em lojas, bares e restaurantes e visto menores de idade atendendo clientes à noite, servindo bebidas alcoólicas, etc.

É sabido e notório que quanto maior o grau de instrução das pessoas, melhor sua renda. As crianças que deixam de estudar para trabalhar desde cedo estão sendo condenadas a um futuro nem um pouco promissor.

Nessas situações o AFT deve intervir, afastando os menores que laboram na clandestinidade. Como essa irregularidade é comum em vários segmentos da economia, quase todos os AFT estão envolvidos com essa atividade.

Boa parte dos empregadores de mão-de-obra infantil flagrados não gostam da intervenção do Auditor-Fiscal do Trabalho, e as alegações são sempre as mesmas: "ele é que veio me pedir emprego"; "é melhor ele trabalhar do que ficar na rua"; "melhor a criança trabalhar do que ficar à toa usando drogas", etc.

Na verdade, os paladinos da justiça estão interessados em empregar menores porque as crianças não buscam seus direitos. Elas trabalham sem registro, o empregador não recolhe FGTS, não recolhe contribuição previdenciária, paga menos do que o salário mínimo, não concede férias, não paga décimo terceiro, etc.

Em face dessa realidade, é fundamental a atuação da Auditoria Fiscal do Trabalho no combate ao trabalho infantil. Atendendo ao mandamento constitucional, quando a criança é menor de 16 anos não há como ela permanecer no trabalho (exceto na condição de aprendiz). Quando encontramos alguma em atividades insalubres ou perigosas, ou então em trabalho noturno, procuramos fazer com que o empregador altere sua função ou posto de trabalho para um setor onde não haja insalubridade ( ou periculosidade) - ou alterar o horário de trabalho, no caso de trabalho noturno. Caso isso não seja possível, a única solução é afastar a criança do estabelecimento.

Em 2010, 5.620 crianças e adolescentes foram afastados pelos AFT no país. O Brasil é signatário da Convenção 182 da OIT (Organização Internacional do Trabalho). Essa Convenção trata das piores formas de trabalho infantil e ação imediata para sua eliminação. Pra quem tiver curiosidade, o Decreto 6481/2008 traz a Lista das Piores Formas de Trabalho Infantil (Lista TIP), disponível em 

O MTE tem expectativa de que o Brasil seja um dos primeiros países do mundo a erradicar o trabalho infantil em suas piores formas. Como reconhecimento a esse esforço, nosso país foi escolhido para sediar, em 2013, a III Conferência Mundial sobre o Trabalho Infantil.
Por hoje era isso pessoal, espero que tenham gostado desse panorama sobre o tema.

A rotina do AFT - V

16/08/2011
Olá amigos(as),
Estive ausente por uns tempos porque as aulas escritas de SST que estou elaborando tomam muito tempo.  Pra vcs terem idéia, cada aula demanda em torno de 20 (vinte) horas pra ser feita, e o curso tem 11 (onze) aulas!
Como o João Antonio já comentou, em breve haverá um site de aulas escritas em parceria com o EuVouPassar, e Segurança e Saúde no Trabalho estará lá!!!
Nesse artigo vamos conversar um pouco sobre o tema Ergonomia.
Ergonomia é o tema da Norma Regulamentadora nº 17 (ERGONOMIA), que será abordada no curso. Também há a normatização de aspectos ergonômicos do trabalho em várias outras NR, com especificidades de cada tipo de trabalho.
No dia a dia o Auditor Fiscal do Trabalho lida com a ergonomia nas mais diversas situações: fiscalizando frigoríficos, é importante verificar a organização do trabalho, pois é um setor que historicamente apresenta problemas com distúrbios osteomusculares relacionados ao trabalho (o famoso DORT). Isso ocorre porque os esforços são extremamente repetitivos e as temperaturas baixas diminuem a irrigação sanguínea, entre outros fatores.
Também há ergonomia das máquinas, equipamentos e postos de trabalho. É necessário verificar se nos escritórios a iluminação é adequada, para evitar fadiga visual, e se o mobiliário (mesas, cadeiras) são confortáveis e se adaptam às características psicofisiológicas dos trabalhadores.
Em atividades onde há carregamento de peso, é essencial a preocupação com a ergonomia, pois métodos inadequados e condições de trabalho mal planejadas geram diversos problemas que prejudicam a saúde dos trabalhadores, como lombalgia e hérnia de disco.
Além disso, também se relaciona com a NR 17 questões relacionadas às atividades de processamento eletrônico de dados (PED), operadores de teleatendimento e telemarketing, etc.
Mas fiquem tranqüilos: ninguém vai tomar posse e no dia seguinte ser designado para fiscalizar um frigorífico com 3 mil empregados. Essas fiscalizações são repassadas de forma gradual, e no começo todos são acompanhados por Auditores mais experientes, que vão passando dicas de como fiscalizar corretamente. Às vezes é preciso um pouco de experiência para "enxergar" na prática o que está escrito nas NR ;-)
Por hoje era isso pessoal, espero que tenham gostado desse panorama sobre o tema.


domingo, 28 de outubro de 2012

Assista a entrevista do Ministro do Trabalho Brizola Neto, em 16/08/2012 , no programa Bom dia Ministro.

Ministro do Trabalho reivindica reestruturação do órgão


Sinait cobra autorização de concurso para Auditor-Fiscal do Trabalho, ainda, em 2012
Publicada em: 17/09/2012

A coluna Panorama Político de sexta-feira, 14 de setembro, do jornal O Globo, deu a seguinte informação sobre as melhorias das condições de trabalho para os servidores do Ministério do Trabalho e Emprego - MTE:
Reestruturação
O ministro do Trabalho, Brizola Neto, reivindica para sua pasta reestruturação no plano de carreiras dos funcionários. Diz que, assim como na Previdência, Saúde e Cultura, a taxa de evasão de servidores chega a 30% devido à falta de perspectiva de crescimento. Brizola Neto afirma que o Planejamento recebeu bem a proposta.
Em encontro com Brizola Neto, no dia 3 de setembro – durante o Seminário sobre trabalho decente, em Macapá, o ministro informou à presidente do Sinait Rosângela Rassy que o Ministério do Planejamento se comprometeu a autorizar, ainda este ano, a abertura de concurso público para o cargo de Auditor-Fiscal do Trabalho.
O Sinait reivindica pelo menos 2 mill vagas para este concurso, com base em estudo do Ipea, que aponta a necessidade de 5 mil servidores para a área de fiscalização trabalhista nos próximos quatro anos. Atualmente são aproximadamente 3 mil Auditores-Fiscais para atuar em todo o País. 
Os dirigentes do Sinait recebem com expectativa notícias como estas, que visam à melhoria das condições de trabalho dos servidores, em geral, do MTE e esperam que estes projetos da pasta sejam concretizados o mais breve possível. Ações como estas melhoraram também a qualidade do serviço público prestado pela pasta em benefício dos trabalhadores.

sexta-feira, 26 de outubro de 2012

Deputados do PR aprovam lei que limita volume em salas de cinema



Projeto agora segue para sanção ou veto do governador.
Se for sancionada, empresas que descumprirem lei podem pagar multa.

Do G1 PR
Salas de cinema devem exibir as fotos dos desaparecidos antes de cada filme  (Foto: Divulgação)Volume máximo para exibições será de 92 decibéis
(Foto: Divulgação)
Os deputados estaduais do Paranáaprovaram, na quarta-feira (24), um projeto de lei que prevê um volume máximo para o áudio das sessões de cinema no estado. De acordo com o texto, que segue para a sanção ou veto do governador, as projeções de até três horas de duração não podem ter volume de som superior a 92 decibéis.
De acordo com a Norma Regulamentadora de Segurança e Saúde no Trabalho nº 15, 92 decibéis é o limite suportado pelos ouvidos humanos para até três horas de exposição a ruídos contínuos ou intermitentes. Veja aqui a íntegra do projeto e a tabela do limite de decibéis por tempo de exposição.
A lei aprovada pelos deputados prevê também que os responsáveis pelas salas de cinema informem os espectadores, no início de cada sessão, sobre o teor da nova legislação. Em caso de descumprimento, as empresas podem ser multadas.
A fiscalização da lei vai ficar a cargo da Secretaria de Saúde e do Departamento de Vigilância Ambiental. Conforme o texto aprovado, a legislação entrará em vigor assim que for sancionada. O texto não prevê prazo para adequação das salas.
Para ler mais notícias do G1 Paraná, clique em g1.globo.com/parana. Siga também o G1 Paraná no Twitter e no RSS.

Força-tarefa nacional do MPT investiga condições de trabalho em estaleiros

Uma Força-tarefa nacional do Ministério Público do Trabalho (MPT) esteve em Rio Grande, de segunda-feira até esta quinta, investigando as condições de saúde e segurança dos trabalhadores que atuam em estaleiros a serviço da Petrobras no Polo Naval do Rio Grande. A Força-tarefa, que teve a participação do Ministério do Trabalho e Emprego (MTE), esteve nos Estaleiros Rio Grande (ERG1 e ERG2) e no canteiro de obras da Quip S/A.
A investigação foi feita pelos procuradores do Trabalho Fernanda Passamílio Freitas Ferreira (do MPT em Pelotas) e Cláudio Cordeiro Queiroga Gadelha (do MPT em João Pessoa/PB), integrantes da Coordenadoria Nacional do Trabalho Portuário e Aquaviário (Conatpa). Os auditores fiscais do Trabalho Fábio Lacorte da Silva, da Gerência Regional do Trabalho e Emprego de Rio Grande, Guilherme Schuck Candemil e William Peres Chaves (da GRTE de Pelotas), fizeram a fiscalização de parte do MTE.
Várias questões foram levantadas e serão analisadas, como a não-comprovação, de parte da Engevix/Ecovix, de que tenha pelo menos um portador de deficiência trabalhando no ERG1 e ERG2. Conforme os auditores-fiscais, em relação aos trabalhadores foram identificadas, entre outras questões, situações de risco, principalmente na oficina, como a existência de ruídos, fagulhas e fumos metálicos oriundos do processo de soldagem. Questões semelhantes foram registradas no canteiro de obras da Quip. A utilização de muita terceirização, é outro problema verificado. Todas estas situações estão sendo verificadas pelo MTE, segundo a assessoria do MPT.
Outras questões foram relatadas pelo Sindicato dos Trabalhadores nas Indústrias Metalúrgicas, Mecânicas e de Material Elétrico do Rio Grande. De acordo com a procuradora Fernanda Ferreira, essa Força-tarefa teve o objetivo de diagnosticar e não de autuar de forma imediata. A intenção é conhecer a situação, entender a teia das várias empresas e encaminhar um projeto específico para regularização da situação dos trabalhadores nos estaleiros a serviço da Petrobras. A fiscalização também ocorreu no Porto do Rio Grande.

Coligação de Vanessa Grazziotin é multada por trabalho infantil


De acordo com o TAC, a utilização de mão-de-obra infantil, acarretará multa de R$ 15 mil por trabalhador infantil identificado.
[ i ]O pagamento é feito aos cofres da União e é destinado Fundo de Amparo ao Trabalhador.
Manaus - O Ministério Público do Trabalho (MPT) multou a coligação “Melhor pra Manaus”, da candidata Vanessa Grazziotin (PCdoB), em R$ 37 mil por contratar menores para trabalhar na campanha, o que é proibido pelo Termo de Ajuste de Conduta (TAC n.º 352/2012), um acordo firmado em agosto entre o MPT e os partidos.
No último dia 22 de setembro, durante uma fiscalização, o MPT flagrou entre os cabos eleitorais da candidata Vanessa Graziottin três adolescentes que distribuiam santinhos em via pública.
De acordo com o TAC, a utilização de mão-de-obra infantil, acarretará multa de R$ 15 mil por trabalhador infantil identificado. A multa compreende R$ 30 mil aos dois adolescentes, que foram confirmados na lista de cabos eleitorais, mais R$7 mil pelo terceiro, que só estava presente no local com material de panfletagem. O pagamento é feito aos cofres da União e é destinado Fundo de Amparo ao Trabalhador.
Pelo TAC, que ratifica a convenção 182 da OIT, os partidos políticos “não podem contratar e utilizar criança ou adolescente com idade inferior a 18 anos, nas atividades ou manifestações relacionadas à campanha política, em ruas, avenidas e outros logradouros públicos ou locais que os exponham a situações de risco ou perigo ou que lhes exijam o trabalho noturno, penoso, perigoso ou insalubre”, por ser reputado uma das piores formas de trabalho infantil.

HISTÓRICO DA TRAMITAÇÃO para o concurso AFT ( Estamos esperando)

Interessado: MINISTERIO DO TRABALHO E EMPREGO
Número do Protocolo: 03000.002856/2012-50
Assunto: REITERA PEDIDO DE AUTORIZACAO PARA REALIZACAO DE CONCURSO PUBLICO PARA PROVIMENTO DOS CARGOS EFETIVOS DA CARREIRA DA AUDITORIA FISCAL DO TRABALHO – AFT. (03000.008427/2011-13)
 
HISTÓRICO DA TRAMITAÇÃO
 
Data: 04/06/2012Situação: EM TRÂMITE
Localização: DEPARTAMENTO DE PLANEJAMENTO DAS ESTRUTURAS E DA FORÇA DE TRABALHO - DEPEF/SEGEP
 
Data: 04/06/2012Situação: EM TRÂMITE
Localização: COORDENAÇÃO ADMINISTRATIVA E INFORMAÇÃO - COADI/GAB/SEGEP
 
Data: 31/05/2012Situação: EM TRÂMITE
Localização: DEPARTAMENTO DE PLANEJAMENTO DAS ESTRUTURAS E DA FORÇA DE TRABALHO - DEPEF/SEGEP
 
Data: 31/05/2012Situação: EM TRÂMITE
Localização: DEPARTAMENTO DE PLANEJAMENTO DAS ESTRUTURAS E DA FORÇA DE TRABALHO - DEPEF/SEGEP
 
Data: 31/05/2012Situação: EM TRÂMITE
Localização: SECRETARIA DE GESTÃO PÚBLICA - SEGEP/MP
 
Data: 31/05/2012Situação: EM TRÂMITE
Localização: ASSESSORIA TÉCNICA E ADMINISTRATIVA - ASTEC/GM
 
Data: 31/05/2012Situação: CADASTRADO
Localização: GABINETE DO MINISTRO - GM/MP

UM PERFIL DO TRABALHO INFANTIL


Por Maria Denise Galvani, da Repórter Brasil

Em dez anos, o Brasil tirou quase 530 mil crianças e adolescentes de situações de trabalho e os devolveu às suas atividades de direito: estudar, brincar e se desenvolver. Outros 3,4 milhões de crianças e adolescentes de 10 a 17 anos ainda trabalham no país, segundo a última análise do IBGE, baseada no Censo de 2010.
Em estimativa mais abrangente da Pesquisa Nacional por Amostra de Domicílios (PNAD) do IBGE, no ano de 2011, são 3,6 milhões de crianças de 5 a 17 anos trabalhando – ou 8,6% da população nessa faixa de idade.*
Principal região de aplicação das políticas de combate à pobreza, o Nordeste apresentou os melhores índices de redução do trabalho infantil entre 2000 e 2012. Foto: Leonardo Sakamoto
A modesta redução de 13,4% no número de crianças e adolescentes trabalhando apontada pelo Censo entre 2000 e 2010 poderia ser um alento, não fossem alguns poréns. Justamente na faixa mais vulnerável dessa população – as crianças de 10 a 13 anos, para quem qualquer tipo de trabalho é proibido –, a ocorrência do problema chegou a aumentar 1,5% (são 710 mil crianças nessa idade, quase 11 mil a mais que em 2000).
No levantamento da PNAD, em todo o Brasil havia 89 mil crianças de 5 a 9 anos e 615 mil de 10 a 13 anos trabalhando na semana da pesquisa – mais de 700 mil crianças no total, o que equivale a pouco menos que a população da cidade de João Pessoa.
A mão de obra de quase 2,7 milhões de jovens entre 14 e 17 anos, apesar de menos freqüente que há dez anos (os adolescentes que trabalhavam eram então 3,2 milhões), é empregada de maneira irregular e em atividades perigosas. Segundo a legislação brasileira, jovens de 14 e 15 anos só podem trabalhar na condição de aprendizes; os de 16 e 17 anos, em atividades que não sejam perigosas ou degradantes, protegidos por uma série de condições.

Se comparada a condição atual à do início dos anos 90, quando a Organização Internacional do Trabalho (OIT) começou a monitorar a questão no Brasil, o trabalho infantil hoje é mais urbano e menos rural e atinge, na média, crianças mais velhas que há 20 anos. Essas crianças enfrentam, em sua maioria, uma dupla jornada de escola e trabalho com a própria família, que nem sempre está em situação de pobreza.
“Se anteriormente a pobreza era um dos determinantes do trabalho infantil, hoje esta relação está menos clara”, analisa Renato Mendes, coordenador do Programa de Erradicação do Trabalho Infantil da OIT no Brasil. “Quase 40% das crianças e jovens que trabalham não estão em famílias que vivem abaixo da linha de pobreza.”
O trabalho infantil e juvenil migrou para áreas urbanas, especialmente na informalidade, em atividades degradantes. Foto: Leonardo Sakamoto
Isso denota, na opinião de Renato, uma mudança de motivação, principalmente por parte dos adolescentes. “Antes o jovem trabalhava para complementar a renda básica da família, hoje trabalha para ter acesso aos bens resultantes do desenvolvimento, como um celular ou uma roupa de marcar. Muitas vezes o trabalho infantil e juvenil está mais ligado à necessidade de inclusão social e menos à sobrevivência”, afirma.
A posse de bens de consumo e o trabalho precoce vistos como forma de inclusão social evidenciam que falta oferta de atividades socioculturais para crianças e jovens. Parte desse vazio poderia ser preenchido com acesso a escola de qualidade e à convivência com outras crianças em espaços de cultura, lazer e esporte – modelo que se convencionou chamar de “educação em tempo integral”.
“Existe uma visão equivocada de que crianças e adolescentes têm que trabalhar. Uma frase que ouvimos muito é: ‘Melhor a criança trabalhar do que roubar’, como se não houvesse uma terceira opção”, diz o promotor Carlos Martheo Guanaes, membro auxiliar do Conselho Nacional do Ministério Público (CNMP), organizador do último seminário no Judiciário para debater o tema, em agosto deste ano. A abordagem da educação em tempo integral nas futuras políticas públicas para as famílias seriam a principal aposta para processar essa mudança cultural.
“Houve no Brasil, nos últimos cinco ou seis anos, uma perda de foco no combate ao trabalho infantil. Até pouco tempo se acreditava que o problema todo era reduzir a pobreza, que a transferência de renda bastaria”, avalia Isa Maria de Oliveira, secretária-executiva do Fundo Nacional de Prevenção e Erradicação do Trabalho Infantil (FNPETI). Hoje se sabe, segundo ela, que o problema é mais complexo que a pobreza material.
Embora reconheçam que a melhoria da renda dos brasileiros, em grande parte como consequência da ampliação do programa Bolsa Família, tenha impactado positivamente na redução do trabalho infantil, a estratégia dada hoje como mais efetiva envolve o tripé transferência de renda, escola de qualidade e oferta de políticas educacionais, culturais e esportivas para crianças e adolescentes.
“É preciso empoderar as famílias para que elas cumpram suas obrigações com as crianças. Os programas de transferência de renda são um marco positivo da última década, expressivo num primeiro momento. Mas é preciso também oferecer a educação integral, para convencer os pais de que as crianças estarão em segurança, em atividades adequadas para sua idade, enquanto eles trabalham”, resume Isa Maria.

Estudo dos microdados dos censos do IBGE de 2000 e de 2010 feito pela OIT permitiu identificar em quais regiões do país a atual política de redução do trabalho infantil surtiu mais efeito.
A única região onde todos os Estados registraram redução do número de crianças de 10 a 13 anos trabalhando foi o Nordeste – queda de 14,96% nessa faixa de idade, e de 23,28% entre crianças e adolescentes de 10 a 17 anos.
“O desempenho do Nordeste mostrou a eficácia da política pública de transferência de renda, já que é a região onde ela foi melhor implementada. Isso explica também porque, hoje, não há crianças trabalhando na maioria das famílias pobres do Brasil”, afirma Renato, da OIT. Ainda assim, a região concentra cerca de 30% das crianças e adolescentes que trabalham no Brasil, grande parte deles na agricultura familiar ou em serviços domésticos.“O Nordeste era a região onde o problema era mais crítico, daí também a relevância dos resultados positivos”, completa Isa Maria.
Em todas as outras regiões do Brasil, o número de crianças entre 10 e 13 anos trabalhando aumentou. Nos Estados do Norte e do Centro-Oeste, esse aumento é de mais de 25%.
Com exceção de Rondônia, todos os Estados da região Norte viram o número de crianças e adolescentes que trabalham aumentar entre 2000 e 2010. “O Norte é uma região em que ainda há dificuldade de acesso dos instrumentos da política pública federal, com municípios longínquos, escolas mais distantes dos domicílios, períodos de chuva, transporte difícil. Nessa região, a política pública precisa de uma contextualização melhor”, analisa Renato. Predominam nesta região, segundo ele, o trabalho de crianças no extrativismo, agricultura e no trabalho doméstico.
Nas regiões Centro-Oeste e Sul, onde a agroindústria se desenvolve,o que preocupa é principalmente o emprego de adolescentes nas fazendas em atividades perigosas, listadas entre as piores formas de trabalho infantil reconhecidas pelo Brasil em 2008 – como a operação de máquinas e veículos agrícolas, manuseio de defensivos químicos ou a extração e colheita de culturas que desprendem resíduos nocivos à saúde.
“A taxa de ocupação de adolescentes no Centro-Oeste e no Sul é altíssima, e caiu pouco em comparação com outras regiões do país”, avalia Renato. Isa Maria concorda: o trabalho infantil na agricultura familiar, típico da cultura dos imigrantes, persiste e migrou para o agronegócio. “O trabalho desprotegido desses jovens cria um desenvolvimento irresponsável na região”, diz ela.
Na região Sudeste, de maior concentração urbana, e nas regiões metropolitanas do país, crianças e adolescentes trabalham principalmente no setor de comércio e serviços informais – como ambulantes, no trabalho doméstico, no setor de transportes, confecção, manutenção e outras atividades terceirizadas. Daí a importância, alertam os especialistas, de as empresas conhecerem sua cadeia produtiva e não pactuarem com a violação dos direitos expressos no Estatuto da Criança e do Adolescente (ECA).
“Na década de 90, as regiões Sul e Sudeste foram as que registraram melhor desempenho no combate ao trabalho infantil, mas na década seguinte foram as que menos municipalizaram os instrumentos da política pública federal. Por isso, o índice voltou a crescer em algumas faixas de idade ou não diminuiu tanto quanto o esperado”diz Renato. De acordo com ele, o retrocesso da questão no Sudeste – onde aumentou mais de 15%, entre 2000 e 2010, o número de crianças de 10 a 13 anos que trabalham – deve-se à omissão dos governos locais em implementar os programas federais direcionados, como o Bolsa Família e Programa de Erradicação do Trabalho Infantil (Peti), ou em elaborar uma política regional para substituí-los.
Na avaliação de Renato, Isa Maria e do promotor Carlos Martheo, o Brasil se encontra num momento decisivo para repensar as políticas de combate ao trabalho infantil e atacar o problema em toda a sua complexidade.
Campanha lançada pela OIT Brasil e pelo FNPETI no último dia 12 de junho, Dia Mundial de Combate ao Trabalho Infantil, busca convencer famílias e empresários de que explorar ou conviver com o trabalho infantil é uma violação dos direitos humanos. “Não é possível que, em plena fase de desenvolvimento, com o Brasil entre as oito maiores economias do mundo, o problema persista. É uma situação epidêmica, que demanda ação imediata”, conclui Renato.

* Enquanto a PNAD é uma pesquisa feita anualmente por amostragem (em domicílios de 1.100 municípios brasileiros, no ano de 2011), o Censo tenta se aproximar do universo total de famílias entrevistando um número consideravelmente maior de pessoas, em todas as cidades brasileiras.
Apesar de o Censo não considerar o trabalho de crianças menores de 10 anos,de  fora da População Economicamente Ativa (PEA), é um instrumento importante de análise das políticas sociais por retratar o quadro do mercado de trabalho brasileiro com mais precisão.
Sempre que não for mencionada a PNAD no texto, os dados se referem ao Censo.

Fiscais flagram trabalho escravo nas Lojas Pernambucanas



A primeira Loja Pernambucanas foi fundada em Pernambuco, em 1908, pelo imigrante sueco Hermam Teodor, mas desde a década de 80, não existem mais lojas da rede em no Estado. Em Petrolina, a loja Pernambucanas sofreu um incêndio no final da década de 80 e fechou as portas.
Quem passa em frente às vitrines das Lojas Pernambucanas não supõe. Mas, além de peças de roupa expostas com apuro, há ali uma ilegalidade.
Dona da terceira maior rede varejista de vestuário do país, a empresa foi multada pelo Ministério do Trabalho, na semana passada, em R$ 2,2milhões.
Por quê? Verificou-se que as Lojas Pernambucanas –faturamento anual de cerca de R$ 4 bilhões— carrega em sua cadeia produtiva um acinte.
Parte das peças que comercializa era costurada num imóvel residencial assentado em São Paulo. Debruçados sobre as máquinas, 16 trabalhadores bolivianos.
Sob regime de trabalho degradante, análogo à escravidão, produziam casacos Argonaut, uma marca criada pelas Pernambucanas para o público jovem.
Deve-se a revelação à repórter Ana Aranha, da revista Época, que acompanhou batida de auditores do Ministério do Trabalho à residência que alojava a senzala da moda.
Ela acomodou em notícia veiculada neste final um resumo do que foi constatato. Testemunhou coisas que não ornam com os mostruários de shopping.
Os neoescravos bolivianos recebiam R$ 20 centavos por peça costurada. Havia entre eles dois menores de idade.
Submetiam-se a uma jornada de trabalho que ia das 8h às 22h. Três filhos de operárias transitavam por entre as máquinas.
Os fiscais encontraram etiquetas das Pernambucanas grudadas nos casacos. Ao redor, uma atmosfera mortificadora.
A “fábrica” funcionava em dois cômodos da casa, cada um com 6m². A ausência de janelas tornava o ar quente.
Fios elétricos pendiam do teto. No chão, sacos de roupa misturavam-se a sacos de batatas.
Ao final da inspeção, os fiscais colecionaram 41 infrações às leis que asseguram no Brasil ambiente de trabalho salubre e seguro.
Verificaram, de resto, que os bolivianos eram mantidos sob o regime de servidão por dívida.
Vieram da cidade de El Paso, na região metropolitana de La Paz. Chegaram a São Paulo devendo o valor das passagens. Coisa de R$ 300 por cabeça.
No final do mês, além de frações da viagem, descontavam-se dos salários despesas diversas –comida, fraldas, cartões telefônicos…
Num caso, o vencimento de R$ 800 foi reduzido a R$ 176. Para fugir do fim do mês no vermelho, os trabalhadores viam-se compelidos a esticar a jornada.
Terminado o expediente, tinham à disposição um único banheiro. O chuveiro, com o fio desligado, provia banho frio.
Para dormir, quartos apertados. Em vez de camas, colchões espalhados pelo chão.
Confrontada com o inacreditável, a rede varejista expediu uma nota. Lê-se no texto: “A Pernambucanas não produz, ela compra produtos no mercado e os revende no varejo”.
De fato, a contratação dos bolivianos deu-se de forma indireta. Trabalhavam para a confecção Dorbyn, que atende a encomendas das Pernambucanas.
Ouvido, um dos diretores da da Dorbyn, Fábio Khouri, alegou desconher as condições da “oficina”. Curioso, já que gerente da firma visita a casa a cada 15 dias.
Durante a fiscalização, os auditores do trabalho acessaram e-mails de funcionários das Pernambucanas.
As mensagens revelam que a rede de roupas define cada detalhe das encomendas que terceiriza: modelo, tamanhos, quantidades, prazos e preços das peças.
Como consequência da inspeção, além da multa milionária imposta às Pernamucanas, os 16 bolivianos tiveram reconhecidos os seus direitos.
Informações do jornalista Josias de Souza